Barragem do Caia (Campo Maior)
Como já muita gente pediu aqui está a mais procurada do Alto Alentejo
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Introdução
Engodagem
Montagens
A barragem do Caia bem como o Maranhão tem grandes tradições no Alentejo. Para além de na última década ter mudado radicalmente quanto ao tipo de pesca esta barragem tem mostrado micro-variações constantes na forma de comer dos peixes. Segundo os antigos e eu também apanhei um pouco, a barragem do caia tinha bastantes bogas em todos os locais. Era a pesca das bogas que ditava os primeiros lugares. A pesca às carpas era a pesca bolonhesa ou inglesa com boia fixa. Mas isso são tempos que já lá vão. Hoje em dia, como muitos dizem, ganha quem pescar mais longe. Ora bem, distância implica dois factores muito importantes que ditaram a pesca nesta barragem: boias pesadas e profundiade, muita profundidade. Estes dois factores levam ao uso de boia de correr.
No Caia as carpas comem com o isco parado e bem parado no fundo. Apesar de proibido nos campeonatos, a forma mais frequente de pesca no Caia é o uso de chumbadas, ou olivetes com mais de 15 gramas, de maneira a que a profundidade é medida de forma a deixar a oliva no fundo. Como sabem, isto é o mesmo que pescar ao fundo, mas com uma boia para sinalizar a engodagem e as picadas dos peixes. Mas enfim, quem não faz assim, normalmente tem como resultado uma manhã inteira a dar banho à minhoca. Falo em prova, pois a treinar isto não se verifica sempre, visto que o peixe tem tendência a encostar facilmente às margens, embora nunca para cá dos 10 metros. Em prova com todos a engodar para lá dos 40 metros e por vezes mais, o peixe não vem à margem. Isto deve-se a alguns amigos nossos espanhois, que fazem o favor de ir para a barragem com 10 canas de fundo cada um, o que é proibido, a pescar a distâncias enormes, o que leva a uma certa habituação dos peixes. Para além disto fazem o favor de deixar todo o lixo em montes que mais parecem já estriqueiras. Mas não é só aqui que os nossos amigos espanhois falham, que é bom que se diga que não são todos, pois a Espanha está agora a conhecer uma nova geração de pescadores, mais virados para a competição, facto pelo qual se sagraram em Coimbra campeões do mundo. Para quem desconhece, o santuario da barragem do Caia é a ribeira de Arronches. Todos anos, no Inverno, a ribeira enche, proporcionando às bogas e barbos um local de desova perfeito, visto ter kilometros até Arronches com bastantes pegos. É nesta altura, época de desova, em que é proibido pescar, que muitos espanhois fazem romarias até Arronches, onde pescam e enchem sacas de bogas para levar para retaurantes espanhois e para consumo próprio. Como se sabe o comum português não come as bogas. Assim poderiamos ter uma barragem com muitas bogas e neste momento poucas vezes aparecem. Isto é de lamentar e as autoridades deviam actuar, colocando vigilância permanente à ribeira durante esta época, a ribeira devia ser zona protegida nesta altura e porque não sempre, atenção que devia ser aberta excepção à pesca de competição fora da desova e no final o peixe seria devolvido à água. Reparem que isto é o mesmo que ir matar mães a uma maternidade. Vergonhoso.
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A Engodagem
A engodagem inicial baseia-se em engodo grosso especial carpas. Se possivel adicionar-lhe milho, trigo e alguns asticots. Para começar deve-se "bombardear" o pesqueiro com cerca de 1,5 Kg em bolas não muito grandes, 20 bolas do tamanho de uma laranja pequena. Asticot colado cerca de 4 ou 5 bolas um pouco à frente do engodo. É ai que vamos colocar a boia. Durante a pesca deve-se engodar com bolas de engodo, alternadas com bolas de asticot colado. Atenção ao facto de que por vezes o peixe não quer asticot colado e até se ter a certeza que eles não param de picar devido ao mesmo, não abusar nas bolas. Esta engodagem deve ser feita sempre para o mesmo local da inicial, engodo mais atrás, asticot 5 a 10 metros à frente, este também é um facto que pode variar. Eu em particular gosto de consentrar a engodagem toda no mesmo ponto e pescar 2 metros à frente. Por vezes quando o peixe não pica é bom tentar 10 metros à frente da engodagem, isto é muito natural que lhe aconteça. Atenção que se descobrir que o peixe está mais à frente, deve continuar a manter a engodagem nos mesmos pontos, a diferença só se vai efectuar no local onde coloca a boia.
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As Montagens
"Burra"
Bolonhesa
"Manhosa"
A "Burra" :)
As montagens são muito simples. Temos a conhecida "burra" :). Este tipo de pesca é proibido mas para os chamados pescadores de fim de semana é extremamente aconselhável (fig 1). Esta pesca tem como objectivo aliviar o pescador de todo o trabalho de sondagem. A boia vai subir até à superficie enquanto o fio se mantiver aliviado. Para isso deve-se deixar o carreto aberto até a boia aparecer. Depois é só esticar o fio (enrolar o carreto) para a boia não subir nem descer no mesmo.
Fig 1. Burra
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A Bolonhesa
Parecida e mais correcta é a pesca à bolonhesa (fig 2). Apenas muda o facto de adicionar um nó e uma missanga à montagem. Depois temos de sondar o pesqueiro. Para isso vamos alterando a posição do nó até achar a profundidade do pesqueiro. Esta é encontrada quando a boia fica deitada depois de aparecer, isto significa que a oliva atingiu o fundo. O procedimento seguinte é o mesmo, esticar o fio (enrolar o carreto) até a boia endireitar. Note-se que a explicação que estou a dar é para montagens em que o chumbo não ultrapassa a capacidade da boia. Se ultrapassar, o que é proibido quer em concursos quer em convivios, a sondagem é igual mas desta feita só paramos de subir os nós quando a boia aparecer, pois ela vai para o fundo com o chumbo e o nó limita-lhe a subida. Atenção ao facto de que quer com boia sobrecalibrada quer calibrada, quando à vento ou pequenas correntes, a boia tem tendência a afundar, visto a oliva servir de âncora. Nestes casos temos duas opções: ou mudamos para uma boia maior com mais capacidade para resistir a este tipo de pressões sem afundar, ou cada vez que ela comesse a afundar damos-lhe um pouco de fio do carreto (Menos aconselhável visto que passamos a não distinguir toques lentos do afundar natural da boia).
Fig 2. Bolonhesa
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A "Manhosa" :)
Por fim temos a pioneira "manhosa" (fig 3). Esta foi a primeira do género. Ainda hoje preferida por muitos, a "manhosa" não é mais que a pesca inglesa com boia de correr. A diferença está, que cada vez que em algum local do país alguém usa inglesas de correr, fá-lo com boias tipo 12 + 3 (significa que a boia aguenta 15 gramas e já tem na sua estrutura 12, ou seja leva 3 gramas de chumbo colocadas por nós), colocando olivas de 3 gramas, e mesmo estas não as encostam ao chão. Esta é a pesca inglesa de correr. No Caia usam-se boias de 18 a 25 gramas com olivas de igual peso, pois as boias não devem trazer nenhum peso na sua estrutura. A oliva encosta-se ao chão tal como nas pescas anteriores. Esta pesca tem a vantagem de além das boias serem mais sensiveis ao toque, o que por vezes também pode ser mau, o fio vai por baixo de água até à boia. Isto facilita a pesca em dias ventosos pois o fio nunca fica em arco na água. Tudo bem que nas ateriores também podemos afundar o fio mas, o resultado nunca é o mesmo, visto que o fio tem de vir cá fora para entrar na anilha da boia bolonhesa. Esta pesca tem a desvantagem do controle da boia ser praticamente só num sentido, de lá para cá, enquanto que com a bolonhesa como o fio está fora de água podemos puxar a boia nas diagonais esquerda direita. Na inglesa isso é impossivel visto que o fio está submerso, quando se puxa a boia para a esquerda ou para a direita ela vai na prática andar para cá.
Fig 3. Manhosa
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